Artigos e Notícias

Brincar com sua criança interior é muito bom... mesmo depois de adulto! Por: Letícia Ferreira


"Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa", Carl Gustav Jung psiquiatra suíço (1875-1961)

Vamos brincar de pega-pega? E juntar a turma da rua para uma revanche com os colegas da quadra de cima no jogo de queimada? Que tal reunir a galera sábado de manhã para jogar taco na praia? Mas depois um banho de mangueira no quintal para refrescar, combinado?

Ao ler essas perguntas você com certeza resgatou alguma lembrança da sua infância e aquela sensação de alegria pura e euforia espontânea instalou em você, mas mesmo depois de adulto você tem se importado em dar atenção a sua criança interior?

Quando entramos em contato com a nossa “criança interior” estabelecemos uma conexão com a nossa essência pura, que lembra quem somos em nossa totalidade.
Durante o período da formação de nossa personalidade vivenciamos experiências positivas e negativas, e instintivamente criamos defesas que servem como proteção, comportamentos e atitudes. De modo geral carregamos dentro de nós a imagem da infância que foi prazerosa e repleta de felicidade, onde tivemos acolhimento e amor de nossos pais, seria a infância perfeita idealizada. Porém, quando chegamos na fase adulta e enfrentamos inúmeras transformações ocorrem e assumimos responsabilidades, tendemos a criarmos uma postura de rigidez perante a sociedade, e é aí que acabamos perdendo o contato com toda aquela energia ingênua e feliz de nossa essência.

O psicanalista suíço Carl Gustav Jung em seus estudos percebeu que, ao entrar em contato com sua brincadeira favorita da infância, que era construir casinhas com blocos de madeira. Ele notou que ao fazer isso acionava uma fonte de energia e criatividade interna, e enquanto se divertia montando cidades de blocos inúmeras ideias surgiam em sua mente. E com base nessa experiência ele elaborou temas importantes dentro de seu sistema de pensamento, como a teoria dos arquétipos, do inconsciente coletivo e outros temas dentro de seu trabalho. Por fim, escreveu uma tese que defendia a importância de acessar o mundo interno infantil e regredir voluntariamente como uma maneira de acessar uma fonte de vitalidade, intuição e possibilidades.

Em nossa formação somos guiados por crenças e verdades, que por sua vez constroem significados, emoções e julgamentos, que acabam reforçando nossas crenças num ciclo contínuo. Esse padrão distorce a realidade e cria-se uma auto imagem nem sempre verdadeira de quem somos.

O quadrinista e Trainer em Programação Neurolinguística Alexandre Montandon costuma dizer que fazer quadrinhos não é o trabalho dele, mas sim uma diversão. E quando ele ministra o curso de Practitioner em PNL do Instituto Vencer a ideia da “criança interior” é um instrumento muito recorrente para uma compreensão melhor do nossa personalidade. “O contato com a sua criança interior te coloca frente a sua essência e te faz ver uma parte sua que foi reprimida e negada na primeira infância, uma parte invisível que não gostamos que nos incomoda muito quando vemos acontecer no outro, mas que precisa ser compreendida e aceita para evoluirmos”. Alexandre explica que esse lado reprimido são nossas "sombras", como é conhecido na psicologia, e quando dando atenção para essa criança é um grande processo de aceitação que traz muita consciência e maturidade.

Quando acessamos nossa “criança interior” experimentamos e refletimos a forma mais sincera de sentimentos como ser humano podemos sentir: o amor. A justificativa é bem simples, pois a criança é a forma de vida totalmente sem malícia, vendo o mundo diante os seus olhos como um lugar encantador e mágico. “Em contato com esse estado interior, apenas compreendemos, sem julgamentos. Somos conduzidos por uma consciência que não é mental, por uma conexão com o que está a nossa volta, exatamente igual a de um bebê com sua mãe. Eu acredito que nesse estado o amor é uma condição associada como ao ato de respirar, que brota espontaneamente para a vida que se apresenta”, completa Alexandre Montandon.

Então vamos fazer um acordo? Quando aquela vontade de voltar a ser criança bater deixa isso acontecer. Quando o bolo de chocolate deixar você com água na boca experimente. E quando seu filho ou qualquer criança chamar você par brincar aproveite a chance da “criança interior” fazer de você um adulto feliz!

E para finalizar, Alexandre deixou uma passagem de Fernando Pessoa para nós que sintetiza bem essa busca do homem por sua “criança interior”:

"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem eu sou.
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou”
 


Compartilhe esse artigo:
© 2008 Instituto Vencer de Desenvolvimento Humano.
Todos os Direitos Reservados
Av. Mal. Floriano Peixoto 16, cj. 208 - Gonzaga - Santos/SP - (13) 3219-7766